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  A estudante japonesa Kumiko Takashima
 
 
       
       
 

Kumiko Takashima, a embaixadora do beisebol brasileiro no Japão
Publicado em 28 de Setembro de 2004, às 15h35
Por: Eric akita

Durante o mês de setembro, o beisebol brasileiro foi minuciosamente estudado. Com as típicas paciência e persistência nipônicas, a jovem estudante japonesa Kumiko Takashima esteve visitando o Brasil a fim de levantar dados históricos e informações desse esporte tão adorado no Japão e que tem uma relação muito estreita com a colônia oriental no país do futebol.

O resultado dessa pesquisa será utilizado na redação da tese de conclusão de curso de Kumiko, que é 4º anista na Universidade dos Estudos Estrangeiros de Tóquio – Departamento de Língua Portuguesa e cujo tema escolhido para esse trabalho é o beisebol brasileiro. Nos 30 dias em que esteve em solo brasileiro, a estudante japonesa entrevistou, utilizando um português quase impecável, diversas figuras do beisebol nacional, entre atletas, técnicos, dirigentes e pessoas da “velha guarda”, além de ter acompanhado de perto a disputa de algumas competições. Kumiko também fez pesquisas no Bunkio de São Paulo, no tradicional bairro oriental da Liberdade, e obteve valiosas informações quando visitou o Museu Histórico da Imigração Japonesa, também em São Paulo.

Extremamente simpática e prestativa, Kumiko se tornou uma “embaixadora” do beisebol brasileiro no Japão, pois mantém contato com os diversos beisebolistas brasileiros que estão atuando na Terra do Sol Nascente, inclusive acompanhando suas performances e auxiliando-os na adaptação a vida num país tão diferente.

Já de volta à Tóquio e ainda sofrendo um pouco com a diferença do fuso horário, Kumiko cedeu uma entrevista ao site da CBBS, na qual falou um pouco sobre o beisebol brasileiro e sobre essa nova paixão chamada Brasil.

CBBS - Você pôde ver de perto como é o beisebol brasileiro, um esporte amador que é apoiado pela colônia japonesa e que luta pela sua massificação no país do futebol. Faça uma análise sobre o que encontrou aqui no Brasil, sobre o que achou do beisebol brasileiro sob uma visão de uma pessoa que veio de um país onde o beisebol é um dos principais esportes.

Kumiko Takashima - Na minha opinião, o beisebol brasileiro é "paixão". Quando sua história aqui no Brasil começou, não havia quase nada de condições para jogar o beisebol, mas o que mudou as pessoas para conseguir isso foi a paixão por esse esporte. Eles mesmos fizeram bolas, tacos e jogavam de forma improvisada nos campos de futebol. E digo que essa paixão e amor pelo beisebol existem até hoje. Entrevistando as pessoas, ninguém parou de contar histórias particulares como jogador ou do beisebol no Brasil, sempre com muitos sorrisos no rosto. Além disso, eles lutam para o beisebol ter mais praticantes, ser popular e forte no Brasil. E isso me impressionou bastante. O Japão é um dos países mais desenvolvidos e ricos do mundo, mas, na minha opinião não temos tanta emoção e ânimo para fazer alguma coisa como os brasileiros têm. Acho que a mesma coisa acontece no beisebol japonês; falta um pouco de "paixão".

CBBS - O beisebol brasileiro está enraizado na colônia japonesa, que desembarcou no Brasil no início do século 20. Quais foram as características que você pôde notar de semelhante entre o beisebol brasileiro e o beisebol japonês?

KT - Quando vi o beisebol no Brasil, assustei com as saudações que os atletas fazem antes e depois de uma partida. Uma saudação para os treinadores e outra para o campo. E isso é exatamente igual ao beisebol colegial aqui do Japão. E termos japoneses como “yakyu” (beisebol), “naiya” (defensor interno), “gaiya” (defensor externo), “sanshin” (eliminação) que são usados no Brasil. Aí notei a grande influência do Japão sobre o beisebol brasileiro. Já a maneira de jogar é difícil para eu dizer se é semelhante ou não, mas a de torcer é diferente do Japão.

CBBS - Além do beisebol, durante sua estadia aqui no Brasil você teve contato direto com uma cultura ocidental um tanto diferente da cultura japonesa. O que mais achou estranho e diferente? E quais as coisas aqui do Brasil que você mais gostou e levará junto de você como lembrança?

KT - Para mim, o costume de tomar banho foi o mais diferente. No Japão, nunca saímos depois de tomar banho, mas no Brasil isso é comum. Mas até já acostumei a fazer isso! Gostei também das pessoas, das comidas, dos costumes, das praias...de tudo do Brasil! Por isso queria levar todas as coisas. Comprei café, bombom, camisetas, chinelos Havaianas, sabonete e suco de frutas em pó como lembrança.

CBBS - Quais foram as pessoas aqui no Brasil que você gostou de conhecer e que colaboraram para o seu trabalho de pesquisa?

KT - Eu agradeço a todos que me ajudaram aí no Brasil; da Confederação, do Museu Histórico da Imigração Japonesa, jogadores, acadêmicos, juízes, oka-san da cozinha, pessoas de cidades onde fui visitar como Londrina, Maringá, Marília, Presidente Prudente, Bastos e Aliança. Mas sem o apoio do Jorge Otsuka, do Yasuo Suzuki e do Satão não conseguiria nada da minha pesquisa e muito menos essa viagem. Sempre agradeço a esses três senhores que me deram bastante ajuda.

CBBS - Terminando a faculdade, o que pretende fazer profissionalmente? Pretendo voltar a visitar o Brasil?

KT - Na verdade, meu emprego para o próximo ano já está garantido, que é uma empresa de autopeças. Aqui no Japão procuramos um emprego antes de nos formarmos. Também tem fábricas dessa empresa em São Paulo e Manaus, mas não tenho certeza se conseguiria uma vaga para trabalhar no Brasil. Mas pretendo voltar ao Brasil de qualquer maneira. Descobrindo "minas de ouro" em São Paulo como jornais e livros antigos do beisebol, na verdade gostaria de continuar meu trabalho sobre o beisebol brasileiro, mas preciso de mais tempo para terminar tudo. Agora estou repensando várias coisas do meu futuro. Por enquanto, depois de terminar minha pesquisa na faculdade, gostaria de ajudar o beisebol brasileiro enviando informações do Japão para o Brasil ou ajudar na adaptação dos jogadores brasileiros por aqui. Durante esse mês inteiro que fiquei aí, além do beisebol brasileiro, aprendi bastante coisas. Gostei demais da vida no Brasil e já estou com saudades.

 
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